Notas para uma aula antiga (que fui encontrar no baú eletrónico)

1.

a) Os seres humanos classificam (aqui, básicos sobre linguagem e pensamento), as sociedades e culturas são (também) sistemas de classificação

b) As classificações são sobretudo binárias (ex: dia/noite)

c) Mas reconhecem que há espectros e escalas (mais dia, menos dia / mais noite, menos noite)

d) E sabem relativizar (dia aqui mas noite ali)

e) E sabem que ao binário não corresponde necessariamente simetria (dia mais longo do que a noite, noite mais longa do que o dia)

f) estas classificações são aprendidas socialmente e organizam também as sociedades, potenciando desigualdades (em vez do exemplo dia/noite, o ex nós/outros)

2.

a) As sociedades humanas produzem desigualdade

b) Não quer dizer que não possa haver menos desigualdade e mais igualdade. Pode. Idem para e equidade (explicar igualdade, explicar equidade).

c) A desigualdade assenta em acesso diferenciado a recursos, materiais ou simbólicos — incluindo poder, reconhecimento, estatuto…

d) As desigualdades produzem (hetero)identificações: o pobre como um problema para o rico, a mulher como um mistério para o conhecimento masculino, o gay e a lésbica como doentes para o saber hetero, o negro como inferior para o colonialismo branco, etc.

e) as identificações podem gerar identidades

f) Nem as desigualdades, nem as identificações, nem as identidades são naturais, elas aparecem e desaparecem na História

3.

a) Nos últimos séculos (Modernidade: explicar) temos vivido com algumas desigualdades, com as identificações que elas geram, e com os binarismos que tendem a apontá-las como simétricas, quando não o são.

b) Por exemplo: de classe e recursos económicos; de género; de sexualidade; e raciais; etc.

c) Quais os aparentes binários? Rico-pobre, masculino-feminino, hetero-gay/lésbica, branco-negro, etc.

d) Voltando atrás: não são absolutos, há espectro e escala

e) Não são simétricos, é dado mais poder, estatuto, reconhecimento e oportunidades ao primeiro termo do binário

f) Sendo ambos os termos identificações, não são ambos identidades: os primeiros termos tendem a ser os classificadores e a ver-se como universais e normais; os segundos, por via da identificação a que foram sujeitos, constituem-se como identidades:

g) como identidades não essenciais e não-naturais, mas de reação e resistência, mesmo que isso gere subjetividades (explicar).

h) E estas identidades são para sempre, congelarão? Não. Quando o que está na base da identificação não for mais fonte de desigualdade, não precisarão de existir

i) Pelo caminho — que é, uma vez mais, História — e quanto mais as identidades de resistência e reivindicação se afirmarem, mais os primeiros termos do binómio viverão tempos estranhos, em que se aperceberão de que não são um neutro universal normal, mas algo de também identificável.

j) (Mas) o que os identifica é, afinal, o privilégio de que usufruem, o que lhes é oferecido à partida como um conjunto de não-desvantagens, desde logo a da não-identificação.

E por aí fora, etc. e tal…. Vamos discutir e esclarecer. Quem avança?

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Tentando desempacotar coisas desde 1960

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